Ouvia-se de uma festa da vitória que varou a madrugada, naquele velho estilo popularesco que dispensa maiores descrições, afinal, há pelo menos uns 50 anos não mudamos em quase nada nossa forma de fazer campanha eleitoral (precisamos de ídolos, de símbolos, de cores, e outras insígnias), e, é bom dizer, incomodou o descanso de muita gente que precisava acordar bem cedo para realizar suas atividades. Entretanto, fique claro que este comentário (ainda bem) não sofre qualquer influência político-partidária, tão somente representa o olhar de uma mera observadora. Pois bem:
Por volta das 4h da manhã (meu Deus, 4h!) a futura prefeita de Natal iniciou o discurso de encerramento para celebrar a grande conquista. Não cansou de exaltar seus atributos pessoais (como se, de tão incríveis, não fossem notórios à distância), inclusive, o fato de ser mãe. Só não deu para entender o que maternidade (em sentido estrito, uma vez que a referência foi a ela própria) tem a ver diretamente com política, afinal, há tantas mães que não são políticos e tantos políticos que não são mães, enfim... E falava de um tal acordão... Mas ficou difícil saber ao certo de quem se tratava, uma vez que, em seguida, a própria mostrava gratidão pelo apoio de grandes lideranças políticas regionais, igualmente de(magógicas)mocráticas.
Também homenageava o falecido pai, oferecendo-lhe os louros da vitória como forma de reconhecimento por tudo que tivera sido e feito, pela ajuda durante os duros dias de campanha, pelo exemplo de vida e essas coisas que se fala de todo mundo que já morreu. O dito cujo supostamente acompanhara toda a trajetória da filha durante o processo eleitoral de outro plano espiritual (superior ou inferior? Ninguém sabe).
Em sua exposição, a já excelentíssima figura expunha de modo veemente que as eleições haviam revelado uma novidade fantástica, pelo menos para aqueles mais despolitizados: “quem manda nesta cidade é o povo!”. Sem considerarmos as prováveis contradições dessa declaração, é qualquer coisa de prestígio jacobino ou de dar inveja aos antigos atenienses. Imaginem os muitos pais e mães de família da periferia, cujo tempo de estudo é tão reduzido quanto sua renda familiar mensal, recebendo uma notícia dessas. É de enlouquecer de felicidade, saber que sofriam tantas mazelas sociais tendo em mãos o poder de mando sobre a cidade e que agora poderão resolver todos os seus problemas.
Porém, quase com lógica aristotélica, nos deparamos com a seguinte questão: se é o povo quem manda na cidade, QUEM SERÁ QUE MANDA NO POVO?
Quem manda no povo é o povo!
ResponderExcluirE agora ela vai cagar no pau com essa conversinha de "quem manda na cidade é o povo", e vai chorar lágrimas de crocodilo quando ver o povo jogá-la, figurativamente falando - mas por mim pode ser literalmente -, nessa ruma de buraco que ela colecionou nesses quase 4 anos de gestão de merda.